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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 20 a 25 anos


Explanação:
Há muito não escrevo...
Desperdício de um dom...
Escrever sempre foi minha paixão;
paixão esta estimulada pelos meus professores de Redação na escola.
Desde os 10 anos tenho um certo gosto pela escrita...
Guardei alguns dos cadernos...
Outros se perderam...
Neles, desde fatos reais até estórias mirabolantes.
Poesias, dissertações, narrações, cartas...
Sempre tive o sonho de publicá-las em um livro, mesmo que ninguém os comprasse, um livro só para meu deleite já bastaria...
Então veio a idéia: publicá-los num Blog _ fácil, rápido e barato...
São textos antigos...
Que, assim espero, servirão de inspiração para a retomada desse caminho tão gostoso que é o da escrita.
Vez ou outra sai coisa nova dessa cachola.
A quem tiver paciência, boa leitura!


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O que é isto?
Não deu certo (03/11/97)

Instruções: Escrever uma redação que comece com a frase "Estava arrumando minha casa, quando você chegou".

Estava arrumando minha casa quando você chegou.

A casa já estava uma bagunça: idéias reviradas, pensamentos perdidos, acontecimentos esquecidos, amores mal-vividos e poesias embaralhadas.

Você nem pra me ajudar! Resolveu aparecer na minha casa, assim, de repente. Nem me avisou, nem me mandou um recado.

Você entrou em minha casa e ficou. Ficou e me deixou pensando em tudo o que eu estava fazendo, ou melhor, tentando fazer.

Eu ali, pensando, pensando; e você aqui, me olhando com o olhar mais doce e meigo que já vi. Um olhar lindo, que chegava a tornar minhas faces rubras. Eu não pude resistir a esse olhar, e fui me deixando levar por ele; encantada, ávida por desvendar seus mistérios.

Encantada... esta é a palavra exata para o meu estado. Hipnotizada, talvez.

Minha casa ganhou mais um cômodo. Esse cômodo é o mais misterioso e o mais difícil de ser arrumado. É claro que a casa continuava com a bagunça anterior, mas, agora, ela estava repleta de luzes e perfumada com os mais cheirosos odores das mais belas flores.

Meu coração, que antigamente só dava umas voltinhas pela minha casa, tornou-se um hóspede permanente. Você foi junto com ele; você foi morar nele; e os dois ficaram aqui em casa.

Então descobri que tudo pode ser resolvido com um pouco de tempo e de paciência.

Também descobri que, o que é do coração, não pode ser roubado por ninguém; que, o que é do coração, fica com ele para sempre, mesmo que ninguém, nem eu, entenda o porquê disto.

Escrito por Marília às 20h31 [] [envie esta mensagem]


Fotografia (23/09/1997)

Instruções: Escrever um texto que descreva as pessoas de uma fotografia.

OBS: A fotografia não era essa, mas dá para se ter uma idéia.

Era uma família bem organizada e bastante unida. Na hora da fotografia os homens colocaram seus ternos e as mulheres, seus vestidos; os bebês estavam todos de macacão.

O membro mais antigo era meu avô: homem sisudo e barbudo, sofrido. Não se interessava por nada moderno e importado. Patriota, chegou a defender a Itália em vária guerras_ o que lhe custou uma grande cicatriz na face esquerda.

Minha avó era de igual seriedade; havia lutado muito na vida e achava que sua vida só servira para agradar ao marido e cuidar dos filhos. Dizia não se recordar de nenhum momento alegre.

Meu tio era trabalhador. Acreditava na força que o povo tem de modificar tudo; tanto que tornara-se político, era vereador de uma província italiana. Enriquecera e casar com uma mulher que quase acabou com sua fortuna. Tiveram um só filho: Romeu. Era um bebê esperto, como a mãe, que já mostrava sinais de prodígio ainda com tão pouca idade.

Minha mãe era doce e meiga. Não era tão sisuda como os outros, nem tão patriota, nem ávida por dinheiro; mas tinha uma honestidade e uma alegria de viver que fazia com que todos se orgulhassem dela. Casara-se com meu pai, homem que, como ela, adorava viver. Era gerente de um importante banco internacional. O bebê que seguravam entre os braços era eu, Julieta; criança curiosa que adorava descobrir coisas.

Naquela época, ainda era a filha única.

Escrito por Marília às 21h37 [] [envie esta mensagem]


Chamas (02/09/1997)

Instruções: Escrever um texto usando palavras quentes.

Era um dia de sol. Parecia-me que todos os oceanos, mares, rios, enfim, que toda a água do universo iria evaporar. Tive a impressão de que as pedras se fundiriam a qualquer momento. O sol estava lá, enorme e brilhante, derramando seus raios sobre nós, pobres mortais. Era como um verdadeiro rei poderoso sobre seus súditos.

Meu corpo estava ardente! Dentro de minha casa estava uma fornalha. Meus cabelos estavam em plenas brasas e minhas roupas grudadas em meu corpo pelo suor, afinal, eu transpirava rios e rios, incessantemente.

O pior é que era uma segunda-feira, e o feriado, entre tantos dias da semana, tinha escolhido justo aquele para aparecer. O clube estava fechado e eu sem carro para procurar alguma praia.

Dia perfeito para um churrasco! Provavelmente nem seria necessário o uso de fogão, forno ou churrasqueira; bastaria pôr a carne no sol para que ela torrasse em cinco minutos. Mas minha geladeira estava sem um mísero pedaço de carne.

Parecia-me que o azar me perseguia.

Meu microondas, assim como todos os meus outros eletrodomésticos, estavam em curto-circuito. Ah calor desgraçado!

Meu rosto ardia e estava com uma vermelhidão enorme, mais parecia uma pimenta. Meus olhos soltavam faíscas.

Fiquei imaginando uma pessoa como eu em um deserto. Com o sol, mais parecendo uma lua, pelo seu brilho, sobre a minha cabeça durante o dia todo. Provavelmente eu enlouqueceria nesse lugar.

Mas o que me deixava pensativo era que, como se não bastasse a efervescência do dia, meu coração ardia em chamas profundas e bem mais quentes que o calor do sol...

Escrito por Marília às 14h16 [] [envie esta mensagem]


Um pensamento...

Achei esse pensamento no me caderno de Redação. Não lembro se fui eu quem o escreveu (acho que foi), ou se tem outro autor, mas como gostei dele, irei transcrevê-lo aqui.

(08/04/1997)

"No fundo, bem no fundo do coração de cada pessoa, há um sentimento chamado amor. Amor pela pátria, pela fauna, pela flora, pela fantasia, pelas pessoas que nos cercam... amor a nós mesmos. Por mais que uma pessoa possua um grande número de defeitos, há um pouco de bondade e pureza em seu coração."

Escrito por Marília às 09h34 [] [envie esta mensagem]


A Cor do Brasil (12/08/1997)

Instruções: Fazer uma paródia. Música escolhida: Lourinha Bombril.

Olhe e atente

Olhe como ele fala

Olhe como ele age

Olhe como ele mente.

 

Esse branquelo tem um cadilaque azul

Esse racista tem os olhos de anil

Aquele negro tem sofrido no sul

Ainda existe racismo no Brasil.

 

Os negros “tão” levando um “não”

Os pobres vão levando na fé

Ninguém mais “tá” conseguindo o pão

Só há chacina lá na Praça da Sé.

 

Muito gás, pé-de-cabra

E o sangue “tá” na veia

Ladrão rico solto

E o pobre na cadeia.

 

Polícia Militar trazendo a solução:

Morte para o povo

E a vida para o cão.

Escrito por Marília às 09h05 [] [envie esta mensagem]